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Conheça o Instrutor do Instituto IRIS

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Moisés Vieira dos Santos Júnior é um dos poucos brasileiros capacitados a treinar cães-guia e instruir usuários. Com formação reconhecida pela Federação Internacional de Escolas de Cães-Guias, o economista saiu do Brasil em meados da década de 1990 em busca de vivências no exterior. Em 1995, quando morava em Londres, teve o primeiro contato com cães-guia. “Havia um casal de usuários que passava todos os dias em frente a minha casa a caminho de um parque, onde soltavam os cães para correr. Havia, também, um rapaz que – pelo que eu pude entender na época –, socializava um filhote na redondeza. Desde então fiquei interessado pelo assunto. Quando comecei a trabalhar no centro de Londres pegava metrô sempre no mesmo horário em que viajava um usuário de cão-guia. Passei a admirar o comportamento do cão; ficava observando o time (usuário e cão-guia) quando deixavam o metrô, dirigindo-se à saída da estação. Sempre pensei que isso poderia acontecer no Brasil. Meu interesse foi tão grande que tentei por duas vezes obter um estágio ou um emprego na escola inglesa de cães-guia, porém, não obtive sucesso por questões relativas ao visto de permanência na Inglaterra”, conta.

Ainda em Londres, o instrutor fez amizade com uma neozelandesa. “Quando voltamos para os nossos países, no início de 1996, combinamos de manter contato. Já em fevereiro do mesmo ano, recebo uma ótima notícia: estavam em processo de seleção para o curso de formação de instrutor na Nova Zelândia e gostariam que um dos selecionados fosse brasileiro. Amigos de amigos formaram uma rede e cheguei ao dr. Augusto Gonzaga, um médico brasileiro que estava organizando a seleção no Brasil. Fui aprovado, em março ou abril; em maio iniciei meu curso de instrutor”, detalha Santos Júnior, acrescentando que poucas pessoas entendem a diferença entre ser um treinador e um instrutor. “A profissão ainda não é regulamentada no Brasil e representa grande dificuldade para os órgãos governamentais que pretendem estabelecer critérios para determinar quem está habilitado a desenvolver esse tipo de atividade”, detalha.

Segundo o instrutor do Instituto IRIS, o profissional que atua como treinador – como o nome sugere – é capacitado a treinar cão-guia; o instrutor pode, além disso, instruir o usuário do cão-guia. Em quase todo o mundo, as escolas de cães-guia formam os próprios profissionais. A Escola da Nova Zelândia é exceção, pois aceita formar instrutores estrangeiros. Cada escola tem peculiaridades em relação ao treinamento dos cães e à formação dos profissionais. Em média, o curso de treinador tem duração de dois anos; o de instrutor de três a quatro anos.

Mais do que conhecer o mundo canino é fundamental para aqueles que pretendem treinar cães-guia que entendam o universo da pessoa com deficiência visual: referências espaciais e métodos que utiliza para fazer a leitura dos ambientes, por exemplo. O profissional também precisa ter noções a respeito dos diferentes graus de eventual resíduo visual que o futuro usuário tenha. Esse fator é determinante para identificar o tipo de ajuda que o cão prestará àquela pessoa.

Saber identificar o perfil do usuário é outro ponto de extrema relevância, uma vez que mais de 60 características são consideradas no momento de se definir qual cão é adequado para cada candidato. Moisés Vieira dos Santos Júnior aponta a dificuldade de captação de recursos no Brasil como uma das maiores barreiras para que mais pessoas tenham acesso à qualidade de vida que um cão- guia pode trazer. E destaca que a maior motivação certamente não está apenas no que diz respeito à mobilidade e independência que o usuário adquire. No pacote também vem o bônus do ganho social. “O cão é um amigo que ajuda a fazer amigos”, finaliza.